sexta-feira, 4 de abril de 2008

Por que não consumir ovos ou laticínios?

Apesar da crença comum de que beber leite de vaca (ou de cabra) e consumir ovos de galinha não mata os animais, as vacas criadas para a comercialização de leite e as galinhas criadas para o comércio de ovos - não importa se em fábricas-criadouros ou "criadas soltas" - todas são mortas quando sua produção de leite e ovos declina.

Os mesmos métodos usados nos matadouros de produção de carne, são usados para produzir leite e ovos. Essas vacas e galinhas vivem sua curta vida presas em espaços minúsculos e escuros, drogadas, mutiladas, e privadas de suas necessidades mais básicas.

Nas fazendas de criação americanas, uma média de 7 galinhas poedeiras passam suas vidas inteiras numa área do tamanho de uma capa de disco de vinil. Vivendo sobre uma superfície de fios de metal que deformam seus pés, em gaiolas tão pequenas que é impossível esticar suas asas, e cobertas de excrementos que caem das gaiolas acima delas, essas galinhas sofrem paralisia, doenças ósseas e bicam-se obsessivamente- esse último comportamento é evitado cortando-se os bicos delas quando ainda são pintinhos. (Sem anestesia, claro).

*Clique na foto acima pra ampliá-la e note os bicos cortados.

Apesar das galinhas poderem viver até os 15 anos, elas são geralmente mortas quando sua produção de ovos diminui, depois de 2 anos. Essas fazendas não têm como usar os machos (os galos) então, quando eles nascem são sufocados, decapitados, jogados fora (como se fossem lixo) ou moídos (ainda vivos) em máquinas industriais. Eu vi alguns videos - com imagens que mostram como eles se livram dos pintinhos machos - videos feitos clandestinamente (escondido) dentro de algumas dessas fazendas/criadouros e não pude acreditar no que meus olhos viram. Apavorante, no mínimo. Não vou postar nenhum desses videos aqui porque é muito chocante. Usem a imaginação e acreditem no que eu digo.

Como qualquer mamífero, as vacas produzem leite quando estão grávidas e páram depois que seus bezerros desmamam. Quando uma vaca criada para a comercialização de leite dá à luz uma vaquinha fêmea, essa vaquinha se torna automaticamente uma vaca leiteira - nascida para viver nas mesmas condições (miseráveis) que sua mãe. E quando uma vaca dá à luz um bezerro macho, ele é vendido para um matadouro com apenas alguns dias de vida, onde ele será acorrentado em um estábulo, privado de comida e exercícios, e logo morto pra ser vendido como vitela.

A vida para a mãe desse bezerro, vai durar apenas alguns anos. Por não ser lucrativo manter as vacas vivas depois que sua produção de leite diminui, as vacas são geralmente mortas aos 5 anos de idade. Portanto, a média de vida de uma vaca, que é de 25 anos, é cortada em 20 anos, apenas pra manter os custos baixos e maximizar a produção.


Hoje em dia, as fazendas de criação de animais não são como aquelas que aprendemos na escola; elas são indústrias mecanizadas onde o bem-estar animal é de muito pouco interesse comparado com o interesse pelos lucros.

O Veganismo é o estilo de vida mais consistente com a filosofia de que os animais não existem para o nosso uso.

Informações via Vegan Action- tradução livre minha.

Fotos via Indybay e Humane Society.

Pra ler mais sobre Veganismo, leia outros posts meus, relacionados abaixo em ordem cronológica, desde o comecinho do blog:

12 comentários:

Fe Franca disse...

Eu confesso que estou longe disso, embora seja uma meta e uma admiração (tipo, quero fazer igual). Por ora, parei a carne vermelha (e já sou uma ET por isso, acredite em mim). O próximo passo, não sei quando, é a carne de aves. Depois, de peixes. Pode durar anos? Pode. Muitos anos? Pode. Não sei, não é? Mas sou consciente e continuo fazendo meu trabalho de resgate de animais e escrever no jornal para conscientizar a população. Claro que tenho optado por receitas veganas, sim... busco inspiração aqui e em outros lugares, substituo ingredientes, massssss tô longe de ser vegana, sou sincera. Um dia eu chego lá, vc vai ver! rs... beijos, Fê - www.fernandafranca.com

paulla disse...

OI vc entrou no meu blog falando das receitas e dicas, vou querer todasssssssssssssss que vc tiver, qualquer dia desses, minha filha nao vai comer mais ovo, ela come praticamente todo dia.
Aguardo retorno seu use esse meu email....ll_paulla_ll@yahoo.com.br

Andréa N. disse...

Fe, você está no caminho certo. Continue assim. Devagarinho, cada pessoa no seu tempo, do seu jeito, vai fazendo o que é possível por esse planeta e seus bichos. Você está fazendo a sua parte muito bem! Parabéns e obrigada por ajudar nessa luta. Não é fácil, não, como você sabe. Somos muitas vezes considerados "esquisitos" por quem não entende ou não quer entender sobre o veganismo. Mas a gente persiste. :) Os animais merecem.

Andréa N. disse...

Paulla, te mando sim, assim que eu tiver um tempinho. Ando atrapalhada e os emails é que sofrem. :) Enquanto isso, aqui na barra lateral do blog, onde diz "leia mais aqui no blog sobre", você vai encontrar várias receitas e dicas. Dê uma olhada quando tiver um tempinho. E ainda na barra lateral, leia os sites e blogs veganos, pra entender mais sobre o veganismo. Esqueci de dizer: meus parabéns por essa filhota maravilhosa: inteligente e cheia de compaixão. Não vejo isso por aí em criança pequena, não!

Flávia disse...

Oi Dea! Eu estou no mesmo pé da Fê. Vc sabe das minha dificuldades aqui, mas agora já estou ficando mais espertinha e descobrindo boas saídas. Parei com a carne vermelha e frango (frango não vale, pois nunca fui muito fã do paladar). Mas continuo com o peixe. E ovos e leite. Aqui, por enquanto, a situação de criação de aves para abate é mais rústica. Inclusive a gente come e compra mais facilmente ovos caipiras, onde as galinhas são criadas soltas no sítio, ciscando soltas por aí. São abatidas quando já estão mais velhinhas, que segundo o pessoal, elas ficam mais "nutritivas". Apesar do final ser o mesmo, a qualidade de vida desses animais é melhor. O mesmo acontecendo com os criadores de vacas leiteiras. Vacas "boas produtoras de leite", tem uma vida longa, chegando a 20 anos. Masssss as não tão boas assim, tem a vida bem mais curta. O leite aqui ainda é por ordenha manual e o leiteiro passa nas casas, pela manhã, entregando o leite. Vou começar a desenvolver um trabalho com eles a respeito da qualidade desse leite que eles entregam (tomara que dê certo).
Ao mesmo tempo que não gosto de judiaria com os animais, fico preocupada com os pequenos produtores. Não em relação ao mundo parar de consumir os seus produtos, mas em relação ao aumento dessas granjas horrorosas por aí, que além de detonarem os animais, detonam todo os pequenos produtores ao seu redor. O mercado está cada vez mais repugnando esse tipo de criação de alta exploração, presando o bem estar animal e a qualidade do produto.
A de se encontrar um equilíbrio para isso.
Poderíamos viver em simbiose? Acredito que sim.

Andréa N. disse...

É isso aí, Fla, a gente vai fazendo a nossa parte como pode. Você salva tantos bichos, isso é maravilhoso! Continue fazendo a sua parte. Eu estava lendo num blog americano esses dias (Vegan Soapbox) uma coisa muito legal. Ela disse assim: "eu não sou uma vegana perfeita e nem você. Eu não conheço você, mas não preciso, pra saber que ninguém é um vegano perfeito". Ela quis dizer que é praticamente impossível fugir de todos os ingredientes e/ou produtos derivados de animais. E terminou dizendo que o veganismo é a viagem, não o destino. E é isso. A gente vai seguindo nosso caminho e fazendo o que é possível. Sempre com respeito ao próximo e aos bichos. Vamos tentando fazer um mundo em que gostaríamos de viver.

LucianA disse...

que isso, Andréa! tô abismada com estas informações aterrorizantes que ninguém conta aos cosumidores... nenhum jornal, nenhum programa tv (muito menos globo ecologia, globo rural etc), enfim, é um festival de crueldade o que escondem de nós... :-((((( O pior é que ovo e leite estão presentes na minha dieta (mesmo consumindo indiretamente - massas, bolos etc... eu achava que sabia como essas fazendas industriais funcionavam, mas não pensei que chegassem a tanto... :-( Fiquei com nojo.

Andréa N. disse...

LucianA, pois é. Claro que não se comenta por aí, porque também muita gente que consome não quer ser "lembrada". Só quem é responsável é que quer sim, saber mais, pra poder decidir por conta própria como agir a partir das informações. É de dar nojo mesmo, e não só isso- quando vi os videos mostrando os pintinhos machos e o que é feito deles nas fazendas de galinhas poedeiras, eu não conseguia parar de chorar. A única coisa que me acalmou foi saber que eu não participo mais disso. Mas ainda assim, é pouco. Eu preciso que as pessoas saibam, mais e mais, e vou continuar repetindo pra todo mundo, porque preciso ajudar aqueles pobres bichinhos de alguma forma.

O que você pode começar a fazer desde já, é devagarinho tirar ovos e leite da sua dieta. E ler, pesquisar bastante. Receitas e cardápios veganos pipocam pela internet afora, e o YouTube está cheio de videos e informações importantes de organizações e pessoas sérias, que se indignaram com esses fatos como eu e você. Agradeço a sua coragem (assim como a de todos que passam por aqui) de ler, encarar os fatos, e começar a pensar no que pode fazer - ao invés de preferir ignorar porque é mais fácil. É assim que um dia a tortura animal vai acabar.

Carla Beatriz disse...

Que horror. Sinto vergonha por não ter conseguido cortar de minha dieta (e de meus filhos) os ovos e laticínios.
Neste sábado, encontrei hambúrgueres de soja no supermercado - um milagre. Meus filhos adoraram! Mas depois me pediram um ovo frito ... :-/
O mais fofo foi no outro dia, meu filho explicando à irmãzinha "porque a mamãe não come carne". Ele disse que para comer a carne, precisava matar os animais e que isso não era legal. Apesar dele comer carne fora de minha casa, a mensagem já está plantada. Agora é com eles, decidirem ser vegetarianos ou não. ;-)

Andréa N. disse...

Carla, não sinta vergonha não. Não é esse o intuito desse tipo de post. Você já faz tanto pelos bichos- é uma pessoa super consciente de tudo isso. Olha só, quando eu posto sobre essas coisas eu quero principalmente duas coisas: abrir os olhos de quem não está sabendo e inspirar gente como você a continuar sendo uma vegetariana num país de carnívoros, e também a ir se preparando e devagarinho deixando os ovos e laticínios de lado. Cada um tem seu tempo, Carla. Você está indo muito bem. E obrigada por instruir seus filhos nesse caminho de compaixão!

Lobo Pasolini disse...

Andréia, obrigado por espalhar a mensagem da compaixão. Eu criei um blog com informação específica das granjas de ovo, um dos casos de confinamento mais extremo, e inclui uma petição ao Ministério da Agricultura Brasileiro. Por favor ajude a divulgar.
http://ovocausto.blogspot.com

Um abraço,

Antonio

guerson disse...

Parabéns pelo trabalho de divulgação Déia. Eu sou "flexitarian" como diz o Michael Pollan, ou seja, eu prioratizo as refeições vegetarianas e tento seguir o conselho dele:
Eat Food
Not too much
Mostly plants

Durante os últimos dois anos consegui diminuir meu consumo de carnes e alimentos de origem animal em 50%. Eu acho que nem precisamos que todos se tornem veganos, se a maioria puder se conscientizar e fazer ao menos isso, ou seja, colocar a carne de volta onde esteve na dieta humana - algo reservado para ocasiões especiais, para ser comido raramente - já ajudaria e muito.

Como eu como carne de vez em raramente, posso comprar carne de granjas e fazendas locais, que criam seus animais de forma mais humana.

E acho que não devemos parar na carne - temos que analisar cuidadosamente todo produto que compramos no supermercado e evitar os produtos industrializados em geral...

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